Diário de Viagem #1 | Chegando a Santiago

3.3.17


Ah, o primeiro dia de viagem... também conhecido como o dia que você começa a mudar totalmente o seu planejamento 😥 Não que isso seja uma coisa ruim ou que você tenha que se desesperar só porque as coisas começaram a sair do seu roteiro. O mais importante viajando é abraçar o que aparecer, especialmente porque a sua consciência da finitude da viagem (aquela data triste em que está marcado o seu voo de volta) vai fazer com que você viva cada momento como se fosse o último.

A nossa viagem começou no dia 14 fevereiro, às 8h05, num voo de conexão para São Paulo e depois outro rumo a Santiago, com previsão de chegada à capital do Chile lá pelas 14h15. Aqui fica a dica para ter cuidado com conexões no aeroporto de Guarulhos em São Paulo. Aquele lugar é gigantesco e alguns terminais são extremamente afastados. A gente andou a vida para chegar no portão de embarque do nosso voo - e sempre de olho no relógio.

Chegando a Santiago, o nosso planejamento para o dia se resumia àqueles procedimentos rotineiros básicos (chegar, fazer check-in no hostel, trocar dinheiro) + visitar o Sky Costanera, o prédio mais alto da América Latina. Porém...

IMIGRAÇÃO

Eles te dão o formulário da imigiração ainda no avião, então é importante sempre viajar com canetas e saber o endereço do local (hotel, albergue, casa de amigos, whatever) que você vai ficar hospedado. Esse formulário deve ser entregue ao setor da imigração. Agora imagine várias aeronaves chegando ao mesmo tempo e o tamanho gigantesco da fila da imigração que a gente pegou. Pffft... restava conectar o celular à rede de wi-fi gratuita do aeroporto e esperar, esperar, esperar. 

IMPORTANTE: Ao passar pela imigração, você recebe o papel da PDI (Polícia de Investigações do Chile). Não perca esse papel, ainda mais se você está viajando só com a identidade. Ele é a comprovação de que você entrou no país de forma legal e vão te pedir esse papel quando tiver que passar pela PDI de novo no voo de volta. Nós conhecemos uma menina no Atacama que perdeu o papel, mas estava tranquila porque viajava com o passaporte e, com o carimbo de entrada no passaporte, eles conseguiam reconhecer a legalidade da estadia dela lá. 

PERDIDAS EM PROVIDENCIA 
Senta que lá vem história...

SAINDO DO AEROPORTO
Com o roteiro um pouco já atrasado pelas filas da imigração, nosso próximo desafio era chegar ao hostel que tínhamos reservado. Trocamos R$50 por +/- $9.550 pesos chilenos (cotação do real para peso estava 1 para 201, porém a casa de câmbio do aeroporto cobrava uma taxa em cima do valor total)* e tínhamos duas opções para chegar ao hostel: transporte público ou transfer (custa entre $7.000 a $8.000). Escolhemos ir de transporte público porque além de mais barato, no site do próprio hostel tinha as informações de como chegar e era relativamente simples.   

Saímos do aeroporto e andamos nem 30 segundos à direita em direção ao ponto dos ônibus Centropuerto. O ônibus custa $1.700, sai a cada 15 minutos, é meio estreito mas tem um pequeno espaço para bagagens atrás do banco do motorista. Você paga direto ao motorista e o itinerário passa por pontos importantes de Santiago como o terminal rodoviário Pajaritos, a movimentada estação do metrô Universidad de Santiago e seu destino final é a estação do metrô de Los Héroes. Então, independente de onde você vai ficar, se tem uma estação do metrô próxima, o ônibus Centropuerto é uma opção. 

METRÔ
Nós reservamos o Hostal Providencia, no bairro Providencia, e as informações do site diziam para pegar a estação 'Universidad de Santiago' e descer na 'Baquedano'. Mas conversando com a chilena que estava do meu lado no ônibus, ela disse que 'Universidad de Santiago' não é uma estação muito segura para turistas, e que o melhor era chegar ao metrô pela estação 'Los Héroes', já que a linha era a mesma (linha vermelha).  

Fizemos isso, pegamos o metrô na 'Los Héroes' e cinco estações depois estávamos na 'Baquedano'. A tabela de preços no metrô de Santiago varia conforme três horários: o punta ($720 - de 7h às 8h59 e de 18h às 19h59), o bajo ($610 - de 6h às 6h29 e de 20h45 às 23h) e o valle ($660 - demais horários)*. Ah, Santiago é uma capital segura, mas desde bem antes aqui no Brasil tínhamos sido alertadas sobre os pequenos furtos que acontecem principalmente no metrô ou na rua. Ficamos atenta às nossas coisas o tempo todo e andar de metrô todas as vezes pelo menos foi tranquilo - inclusive com direito a performance de rap.

CADÊ O HOSTEL?
Saímos da 'Baquedano' pela porta certa, mas deu zica no uni-duni-tê e viramos na direção errada para chegar na Av. Vicuña Mackenna. Resultado? Demos voltas pelo quarteirão por pelo menos uns 20 minutos até parar em uma sorveteria cujo dono foi a única pessoa que nos deu as direções certas (finalmenteee!!!). O outro resultado prejudicial é que, com esse trajeto todo desde o aeroporto, chegamos ao Hostal Providencia umas 17h e as meninas da recepção ainda pediram que esperássemos para fazer o check-in.

BYE BYE CÂMBIO

O primeiro grande balde de água fria nesse primeiro dia foi perceber que já tínhamos perdido o horário bom para trocar o dinheiro. Seja em qualquer país que você visite, o melhor câmbio é aquele dentro do horário de expediente dos bancos, durante a semana. E em Santiago, o melhor lugar para fazer câmbio é na rua Agustinas.

Com as casas de câmbio da rua Agustinas já fechadas, demos sorte de fazer algumas amizades no hostel logo de cara e recebemos a indicação da casa de câmbio do Pátio Bellavista, que fechava às 20h e estava a uns 15 minutinhos de distância do hostel. Lá fomos nós então, acompanhadas de outra brasileira, pegar a PIOR cotação ever da vida, do universo e de tudo mais. 1 para 192 para reais e 1 para 628 para dólares.

PÁTIO BELLAVISTA 
O Pátio Bellavista é um point boêmio em Santiago que reúne muitos restaurantes, lojas, cafés, agências de turismo e bares. O local em si é muito agradável e vale a pena uma visita mais longa SE. VOCÊ. TEM. DINHEIRO. As coisas são bem mais caras lá. A gente trocou um pouco do dinheiro, o suficiente para os passeios do dia seguinte, e fomos comer pizza barata em outra rua perto do hostel. E com tudo isso claramente já tínhamos desistido de visitar o Sky Costanera naquele dia.

DIA DOS NAMORADOS 
14 de fevereiro é Valentine's Day ou Dia dos Namorados em diversas partes do mundo, inclusive no Chile. E eles levam muito a sério! Um dos nossos choques culturais logo de cara foi perceber como para eles não é nem um pouco brega andar com balões grandes, rosas e chocolates pelo meio da rua. Diversos estabelecimentos também estavam com promoções bem bacanas para os casais.

ÁGUA, SANTA ÁGUA
Nossa última parada antes de voltar para o hostel - depois de um dia cansativo e de pegar muito sol na cabeça andando - foi em um minimarket para comprar água. A água em Santiago é conhecida por ter muito mineral e como nós brasileiros não estamos acostumados, podemos passar mal depois de beber. No Hostal Providencia, eles ofereciam a água filtrada da torneira, mas eu não quis arriscar (ninguém no meu quarto quis também), e também vendiam garrafas de 1,6L por $1.200 na recepção.

Mas não compre água no hostel. Há um supermercado bem próximo (andando para a esquerda do Providencia e seguindo reto na primeira transversal toda vida até chegar no supermercado) que pegamos uma promoção de duas garrafas de 1,6L por $900 aproximadamente. Além disso, as águas mais parecidas com as do Brasil no Chile são a Vital e a Benedictino.

Você também pode comprar a água de Aloe Vera, que é uma delícia, muito refrescante e tem gominhos que parecem de uva. Não vi o preço no mercado, mas na banca de jornal vendia a $900 e no minimarket do povoado de Cajón del Maipo a $1000. 
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De volta ao hostel, as meninas ainda se arrumaram para ir em um karaokê ali perto - que amaram! Eu caí na cama e dormi. Nosso planejamento bonitinho e arrumadinho para os quatro dias já tinha ido por água abaixo por conta do fracasso nas comunicações com um guia particular para os Andes. Mas tínhamos o roteiro de Isla Negra (♥) na manga para o segundo dia que vou relatar aqui em breve para vocês :)


*todos os valores são referentes a fevereiro de 2017

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