Autorretrato: a menina e o livro

23.9.16


É você que escolhe um livro ou é um livro que escolhe você? Eu ganhei "Eu Te Darei o Sol" ano passado e ele logo viajou até o Rio Grande do Sul para que a Débora () pudesse deixar registradas todas as suas reações loucas enquanto lia a linda história de Noah e Jude. Então de volta ao Rio, de volta às estantes empoeiradas, essa mesma história resolveu acender como um grande farol e ficar irradiando até eu lê-la.

O que você precisa saber? Noah e Jude são irmão gêmeos que são quase como um só. Apesar das diferenças de personalidade, um desenha o outro quando precisam fazer seus próprios autorretratos. Noah, que pinta o mundo, e Jude, que esculpe areia. Mas quando se trata de conquistar o orgulho da mãe e entrar para a melhor escola de arte da Califórnia, Jude começa a pensar que talvez seus talentos não sejam tão bons quanto os de Noah. E ciúmes podem ser o suficiente para causar imensas rupturas.

"Eu Te Darei o Sol" conquista pela simplicidade de sua sinopse: dois irmãos gêmeos competindo pela afetuosidade da mãe. Olhando assim, o que você daria por essa história? Nada, talvez? Tudo. O livro exala identificação, molda parágrafos e mais parágrafos em poesia e entrega uma narrativa sobre perdas, autoaceitação e perdão; um brinde ao amor nas suas mais variadas formas: mãe e filha, garoto e garoto, pai e filho, garota e garoto, irmão e irmã.


A estrutura do livro também é instigante, com a perspectiva do Noah narrada no passado e a da Jude no presente, até que todo o quebra-cabeça (de ações de ontem e reflexos no hoje) possa fazer sentido. Mas o melhor é certamente a escrita leve e sinestésica da autora. Jandy Nelson nos deleita com um banquete de metáforas visuais (ah, os autorretratos...) junto com as mais divertidas peculiaridades dos personagens. Sério, não se trata apenas de frases bonitas, mas parágrafos inteiros de associações delicadas e emoções veementes.

Aqui e ali, meio que propositalmente de raspão, a história cai no clichê YA das relações, do romance conturbado, do erro que poderia ter sido evitado. Mas nem dá para considerar isso como ponto negativo já que tudo é tão bem amarrado, sensível e converge para um final que não poderia ser diferente do que foi.


E também não sei se foram os comentários da Débora (que deixaram a leitura com um tom divertido de conversa), se foi todo o plano de fundo de artes plásticas ou se simplesmente foi a escrita mágica da Jandy Nelson, só sei que estou apaixonada por esse livro. Assim como "Circo da Noite" e "Todo Dia", "Eu Te Darei o Sol" voou direto para a seleta lista de YA favoritos.


Porque "Eu Te Darei o Sol" é único, é vibrante e é feito de mil quadros coloridos para compor uma admirável exposição. Ganhou várias premiações, tem mais tantas outras indicações literárias e é bastante querido por muita gente ao redor do mundo. Então, fica a dica. Ultrapasse o início lento com as idiossincrasias à primeira vista esquisitas do Noah, para em seguida conhecer o lado ridículo-supersticioso da Jude, e então mergulhe de vez em uma história que tem tudo para te encantar. 
[Fotos: Ane]


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2 Bilhetes

  1. Aii, não vejo a hora desse livro chegar aqui em casa, porque é certeza que ele vai passar na frente de todos na fila. Super ansiosa pra ver as reações e comentários, seus e da Debs, e também me apaixonar pela história que tem tudo pra ser incrível! E tô muito feliz que você voltou pro blog, viu? Tava morrendo de saudade <3

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    1. Você vai AMAR, Ceci! E vai rir muito com os nossos comentários! Logo logo o livro chega aí para você rabiscar também <3 Obrigada!!!

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