Vango - Entre o Céu e a Terra

25.6.15



Vango: Entre o Céu e a Terra - Timothée de Fombelle
Vango: Entre ciel et terre |  Melhoramentos, 2015  |  360 páginas

Salvar a pele e, ao mesmo tempo, descobrir a própria identidade. Este é o grande desafio de Vango. Ao ler esse thriller histórico, ambientado no conturbado período entre as duas grandes guerras mundiais, somos impelidos a fugir com Vango pelos cinco continentes, num clima de absoluto perigo e suspense. Este rapaz órfão de 19 anos desconhece sua origem assim como desconhece a motivação do franco atirador que, além da polícia, está em seu encalço. O assassinato do padre Jean, seu protetor, desencadeia a perseguição ao rapaz, que empreende uma fuga espetacular ao escalar nada menos do que os famosos vitrais da catedral. Nesse clima de perseguição e aventura acompanhamos nosso protagonista em situações e lugares improváveis - como um intruso escondido num caça da SS, galopando nas Terras Altas da Escócia, dependurado num vulcão italiano ou sobrevoando o Brasil e vários outros lugares num zepelim. 



Vango - Entre o Céu e a Terra é o começo de uma duologia de ficção histórica que atravessa o período de ascensão do movimento nazi-fascista e aborda as aventuras de um misterioso rapaz órfão chamado Vango enquanto ele precisa descobrir sua própria identidade e, ao mesmo tempo, fugir de pessoas que querem incriminá-lo por um crime que ele não cometeu. Nessa jornada, os caminhos de Vango vão acabar se cruzando com o de algumas personalidades verídicas, como Joseph Stalin, sua filha Svetlana e Adolf Hitler.

Não se sabe muito sobre o passado de Vango. Ainda um menino, ele e uma mulher identificada no livro apenas como Mademoseille foram achados numa praia da Sicília, na Itália, e Vango cresceu em meios aos vulcões e andorinhas da ilha até se tornar bastante habilidoso com línguas, alturas e escaladas. Um dia, quando a vida na ilha já foi há tempos abandonada por Vango - que agora é um jovem de 19 anos e está em Paris prestes a ser ordenado padre -, um assassinato põe a segurança do rapaz em risco e ele precisa correr, sempre fugindo de perseguidores desconhecidos, por vários lugares do mundo.



Há muitas coisas que fazem de Vango - Entre o Céu e a Terra um livro bastante diferente. A primeira delas é a edição fantástica do livro, que vem com uma tipografia num incomum tom de bordô (que não incomoda nada) e conta com um anexo - A História Dentro da História - que explica todo o contexto histórico no qual se passa a narrativa, incluindo quem são os personagens verídicos e fotos do dirigível Graf Zeppelin. Divido em três partes e com capítulos não muito grandes, o livro também flui rápido mesmo que à primeira vista ele aparente ser bem grande.

Outro diferencial do livro é a sua narrativa com forte caráter cinematográfico. Já li livros com esse mesmo estilo, mas nada que fosse comparado à forma como o autor Timothée de Fombelle construiu os cortes de cena e mudanças de cenário. Por um lado, deixou a narrativa bem rápida, sem enrolações, mas por outro, às vezes é tudo tão rápido que pode confundir ou passar ao leitor a sensação de uma escrita muito simples, faltando um aprofundamento maior em algumas partes.



Por exemplo, Vango, apesar de ser o protagonista, é um personagem que na maior parte do livro a gente só conhece através dos olhos de outros personagens secundários, e como há uma sequência, nem todos os mistérios são solucionados quando se alcança a última página. Senti muita falta de ver mais do Vango nesse livro. E falando nos personagens secundários, achei alguns bem mastigados já, reflexos de filmes e/ou livros que eu já conheço, como a personagem Gata (Mulher-Gato?) e a ênfase no V de Vango (V de Vingança?).

Acho que foi por isso que eu não gostei tanto de Vango - Entre o Céu e a Terra como um todo como achei que iria gostar, mas achei a leitura bastante válida, principalmente para quem gosta de História. Curti bastante as partes que se passam no dirigível () e nas terras altas da Escócia, e meu personagem favorito - Hugo Eckener - é uma personalidade verídica que até então eu desconhecia e conhecê-lo através da ficção foi muito legal e é mais uma prova do quanto a gente pode aprender - e se envolver - com a ficção. 

"Existem portas tão fechadas que nem as vemos mais, tal é o medo que temos de abri-las."  

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11 Bilhetes

  1. Ticifilhote! Eu tô apaixonada pela capa do livro e pelas cores dele. Que bonitinho <3 Achei legal esse ar "francês", já que eu sou apaixonada por coisas da França. Estava achando o livro todo lindo e maravilhoso, até chegar a sua crítica e fiquei meio "mimimi, poxinha". V de Vango....... Okay, then, hahahaha.
    Ótima resenha <3
    Beijos,
    www.girlfromoz.com.br
    Ps: Ler e comentar logo depois de acordar, não serve pra mim. Me senti escrevendo pior que uma criança de oito anos.

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  2. Ai Tici, eu tô enrolando e enrolando e enrolando mais um pouco pra começar Vango. E com essa sua resenha já não sei de mais nada. Como você destaca no começo a premissa é ótima, toda essa coisa de história, viagens, personalidades aparecendo me empolgam. Mas eu gosto de conhecer bem o personagem principal, suas motivações e anseios. Sem falar que V de Vango, wat? #fail
    Maaas vou tentar me animar com essa coisa de capítulos curtas, minha leitura flui bastante quando eles são pequenos e rápidos, espero que isso jogue a meu favor!
    Beijos, sis <3
    http://vanille-vie.blogspot.com.br/

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  3. Oi, Tici!
    Eu já havia lido algumas coisas sobre esse livro, e confesso que não estava nada animada para lê-lo, mas hoje fiquei levemente curiosa. Achei especialmente bacana essa questão da ambientação histórico (amo livros com essa característica marcante <3).

    Beijo

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  4. Terminando de ler o livro e AMANDO <3
    http://www.escritordeconta.com/

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  5. Nunca ouvi falar do livro . Mas, eu amo livro que se mistura com história real, acredito que eu vá gostar. Anotada a dica .

    Beijos

    http://sushibaiano.blogspot.com.br/
    Sorteio rolando :http://sushibaiano.blogspot.com.br/2015/06/sorteio-um-ano.html

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  6. Oi, Tici!
    Tudo nesse livro me chamou atenção, desde a beleza gráfica até a história em si. Ficção histórica é tudo de bom, misturando segunda guerra e personagens reais fica melhor ainda. Além do mais, sua resenha me deixou muito empolgada. rs
    Amei! Vou ler. ^^
    Beijo

    http://canastraliteraria.blogspot.com.br/

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  7. Oi Tici!

    Que bacana! O livro parece ser bem legal, pena que vc não curtiu mto... História não faz mto o meu estilo de leitura, mas a escrita parece ser bem envolvente. Adorei a resenha!

    Bjs!
    CarinaPilar.com | ...e a paixão pelos livros!

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  8. Ticilindaaaaaaaaaaaaaaaaa! ♥

    Posso começar dizendo que estava morrendo de saudades de visitar seu blog? Minha vida mudou 100% e com toda essa bagunça, não tinha parado (ainda) pra me organizar. Mas olha só, volteeeeeeeei! E claro, tinha que passar aqui.
    Já morri de curiosidades por: 2° Guerra. Um tema muito bacana e que pode ser abordado quantas vezes quiserem, sempre vai ser demais. E é super verdade o que você disse, aprendemos muito com a ficção!

    http://www.carolice.com/

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  9. Interessante o livro, mas entendi porque você não se envolveu tanto. Às vezes é um pouco chato mesmo, perceber que muitas "referências" são na verdade quase as mesmas histórias de outros livros. Achei curiosa a diagramação e a opção pelo bordô.

    http://naomemandeflores.com

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  10. Olá!
    Estou vendo muito esse livro e pensei que ele era diferente por conta da capa. Mas achei ele super interessante.
    Vou com certeza comprar pra ler. pena que o livro não te agradou tanto
    Beijos, Tabatha
    http://aproveiteolivro.blogspot.com.br/

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  11. Tenho lido muitas resenhas desse livro blogosfera a fora, a Melhoramentos deu um bom golpe na divulgação desse livro procurando os blogs literários.

    Até o momento só vi resenhas positivas, essa foi a que oscilou e mostrou pontos fracos do livro... e ao mesmo tempo, olha só, me fez ter vontade de ler por motivos técnicos, essa sessão "por dentro da história" podem tornar o livro útil para o ensino de história, me deu vontade de ler e ver se ele poderia ser incluído na lista de paradidáticos (sim, os professores de português são fofos e me escutam ;)).

    Como sempre, adorei as suas fotos, desde o primeiro momento achei esse livro lindo e continuo achando.

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