[Resenha] Proibido

24.9.14



Proibido

No original "Forbidden", escrito pela britânica Tabitha Suzuma, com 304 páginas e publicado no Brasil pela Valentina.

"Nós ainda podemos nos amar. Não há lei nem limites para sentimentos. Nós podemos nos amar tanto e tão profunda-mente quanto quisermos. E ninguém, Maya, ninguém vai poder jamais tirar isso de nós."



Lochan e Maya são irmãos. Foram abandonados pelo pai quando ainda eram mais novos e desde então assumiram para eles mesmos a responsabilidade de cuidar dos outros irmãos menores, já que a mãe deles passa mais tempo com o namorado e com a bebida do que em casa com a família. Entre estudos e provas na escola, cafés da manhã conturbados e contas para pagar, os dois mais velhos sempre encontraram apoio um no outro para seguir em frente e evitar que todos fossem separados pela assistência social.

Lochan já tem quase 18 anos e é um rapaz muito inteligente, mas com uma espécie de fobia social que o isola na escola, não permitindo que ele crie laços de amizades duradouros. Já Maya, treze meses mais nova, é mais extrovertida e popular, mas é por Lochan que ela mais sente afeição. Ele que sempre esteve por perto, nos melhores momentos ou nos piores. Ele que a conhece de verdade. Ele que, no fundo, sempre foi mais que um irmão, mesmo que só agora os dois percebam o verdadeiro sentimento que os envolvem. Mas como expor ao mundo um amor universalmente repudiado?



"Mas como posso culpar Nico por me levar a compreender que eu estava apaixonada pelo meu irmão? O sentimento estava lá havia anos, se aproximando da superfície a cada dia; era apenas uma questão de tempo até romper nossa frágil teia de negação, nos obrigando a enfrentar a verdade e reconhecer quem somos: duas pessoas que se amam - um amor que ninguém mais poderia compreender." [pág. 136]

É difícil resenhar um livro como Proibido, um livro que - mesmo que não faça nenhum sentido dizer isso - parece ter muito mais sentimentos do que as palavras são capazes de expressar. Então, para fazer jus à história, dessa vez eu vou focar a resenha nos sentimentos que eu tive durante a leitura mais do que em aspectos técnicos ou descrições. Mas há uma coisa que é preciso deixar logo clara: o tema do incesto é sim muito forte, mas, qualquer que seja a posição que você sustenta sobre o assunto, ela não vai interferir na leitura. Mais do que um livro sobre o amor entre um irmão e uma irmão, Proibido é uma história sobre a família. Você não precisa de uma mente aberta para lê-la, você só precisa de um coração.



"Nenhum sacrifício é grande demais para manter minha família unida, mas a longa estrada adiante parece ser tão íngreme e acidentada que sempre acordo à noite com medo de cair." [pág. 204]

O livro começa muito bem, com uma escrita forte e poética da Tabitha Suzuma que nos mostra o cotidiano conturbado de uma família que está lutando todo dia para não entrar em colapso. Os diálogos, as personalidades das personagens, as situações... era tudo tão tangível e bem construído que por vezes eu tinha certeza de que, se eu esticasse a mão, poderia tocá-los, como projeções tridimensionais mescladas com memórias da minha própria infância. Esse começo dura até o Lochan e a Maya descobrirem que estão apaixonados um pelo outro, e isso não acontece instantaneamente. Há capítulos e mais capítulos antes, centrados na rotina familiar para que o leitor consiga entender o plano de fundo que há por trás desse amor.

Ler essa segunda "parte" já não foi tão fácil para mim, basicamente porque a princípio eu não simpatizei com a Maya; o sentimento dela por Lochan parecia mais com desejo inocente. E sabe aquela história do show me, don't tell me? A Maya perdia muito tempo nos capítulos com o ponto de vista dela falando sobre como o amor deles era certo, mas, por outro lado, o que nos era mostrado era um sentimento que consumiu os protagonistas como fogo em gasolina até eles deixarem as incertezas e tabus de lado e decidirem por se entregarem.

A partir daí, Proibido ganha tons mais alegres, acompanhando aquela felicidade genuína e breve que antecipa um final doloroso. Meu coração já estava apertado; eu sabia que ia doer. Só não sabia o quanto. Terminei a última página quase em estado de choque, incapaz de chorar ou de gritar de desespero. Fui tentar fazer outra coisa e então, só depois e de repente, quase sem perceber, é que comecei a chorar, agarrada ao pequeno raio de esperança que nos é deixado no epílogo. É definitivamente um livro para marcar.



Mais uma vez, reforço que não considero Proibido um livro somente sobre um amor incestuoso, mas sim sobre relações familiares; serão elas que ditarão todo o rumo do livro. E quando você aceita que o filho pode se tornar o pai, não é tão difícil entender o por quê da irmã ter se tornado a companheira. Tabitha Suzuma soube conduzir tudo isso muito bem com sua narrativa poética, sutil e reflexiva - que nos mostra a importância da família na vida de alguém.

Dificilmente irei esquecer a família criada em Proibido. O corajoso Lochan, o rebelde Kit, a doce Willa, o sonhador Tiffin e até a Maya. A imagem que eu tive dela no começo não foi a mesma quando cheguei no final. Pelo contrário. As razões que levaram Lochan a se apaixonar pela irmã são facilmente identificadas. Mas a Maya... ela é a maior representação de uma das verdades que a Suzuma quis passar com Proibido: que você não escolhe por quem se apaixona.

"Em que altura você desiste - e decide que já basta? Só há uma resposta. Nunca." [pág. 292]

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12 Bilhetes

  1. Linda resenha. Eu estou muito ansiosa por esse livro, antes mesmo de tê-lo me mãos estou com sentimentos controversos, quero ler e estou com medo. Não sou preconceituosa e não sou de tecer julgamentos sobre as coisas em geral, mas estou com medo de sofrer muito, de chorar. Mas sei que vou lê-lo, em breve. Amei sua resenha. Você escreveu com sentimento, isso é muito importante, adorei.
    Beijos
    Viviane
    Razão e Resenhas

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  2. Meu deus! Arrepiada com a resenha Tici! Nem li o livro e já estou com lagrimas nos olhos e um aperto no coração :/
    Sempre me interessei por histórias desse tipo, que quebram tabus.
    Maya deve ser aquelas personagens que de cara você já não gosta, mais depois de "conviver" mais com ela você se acustuma :3
    Lochan deve ser na verdade um grande vencedor, que luta por aquilo que acha certo!
    Admiro muito pessoas desse tipo, que não se deixam levar pelos preconceitos dos outros.
    E essas frases.... Simplesmente sensacionais!
    E o que falar da capa e do titulo? Tem tudo a ver com a historia em si! Sem falar que as flores e os espinhos dão um toque mais.. "proibido" ao livros.
    Bom, sei que tive a muuuito tempo sumida, é que bateu uma saudade e resolvi lhe visitar :3 espero voltar aqui sempre :3
    Beijos!

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    1. Lili! <3 Que alegria ter você de volta! Saudades! <3
      O Lochan é um personagem sensacional, bem verdadeiro, com seus altos e baixos, mas é impossível não admirá-lo! "Proibido" realmente quebra todos os tabus, e a autora merece um grande destaque por ter conseguido criar uma história tão bonita! A Ed. Valentina também vive arrasando nas produções!
      Muito obrigada pelo seu comentário! Amei!
      xx

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  3. Oiee ^^
    Sei como é difícil expressar em palavras o que a gente só entende em sentimentos, e isso já aconteceu comigo algumas vezes, e mal conseguia resenhar os livros. Venho querendo ler Proibido há algum tempo já, mas não posso mais comprar livros *-*
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  4. Tici, que tema difícil, que história chocante, profunda, uauu, fiquei sem fôlego.
    Já falei que adoro suas fotos?
    Beijos
    Blog: Porão da Liesel
    Página no Facebook

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  5. Tici, te falei que o livro era incrível né? e só de ler sua resenha já senti lágrimas se criando novamente nos meus olhos, é incrível que quase um mês depois de ter lido este livro eu me lembro da dor...

    Tenho que concordar o livro me mudou, a maneira que penso é diferente pois Thabita fez com que eu olhasse tudo de outra forma.

    Existe um quote no livro que o Lochie faz uma comparação do seu relacionamento com Maya com os casais infieis e violentos que estamos "acostumados" a ver no nosso dia a dia e isso é uma provinha da quantidade de fatos que Thabita joga na nossa cara e o pior, que realmente estamos acostumado a "aceitar", o quote (neste pequeno pedaço) e não só este como muitas outras passagens incríveis do livro mostra a grandeza que o livro representa.

    Sim, Proibido foi até hoje a melhor leitura que fiz, que me tocou intensamente sem precisar ser agressivo, a autora tem uma sutileza sem igual, e consegue fazer que baixemos a guarda diante de um assunto tão polemico.

    Enfim, é difícil colocar em palavras né? nem sei se consegui fazer isso na minha resenha, o sentimento propriamente dito adquirido sobre o livro só consegue sentir quem realmente leu. Então assim como você indico a leitura a todos, deixem os ditos pré conceitos de lado e leiam Proibido, você vai se dar conta que mais do que valeu a pena, se fará necessário para suas vidas.

    Por fim " Você não precisa de uma mente aberta para lê-la, você só precisa de um coração. " Com esta frase você diz, tudo.

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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    1. Onnw, Joi! <3 Mas é verdade, "Proibido" quebrou muitos conceitos já previamente estabelecidos, mas a Tabitha faz isso sem se tornar uma coisa forçada ou uma simples apologia. Sutileza define e sério, tenho certeza de "Proibido" consegue deixar até as pessoas com a mente mais fechada com lágrimas nos olhos! Ponto p/ a Tabitha! *-*
      xx

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  6. Oi, Tici!!!
    Nossa... deve ser um livro pesado, né?
    Amor entre irmãos... lembrei logo de GOT...
    E tenho medo desse fim dramático, mas deve ser algo assim mesmo...
    Um livro que diz mais sobre a relação das pessoas do que o trivial...
    Saudades de vir aqui esse blog!! :)

    Bjs, Lu
    http://resenhasdalu.blogspot.com.br/

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  7. Oi Ticilinda, tudo bem? ♥
    Saudades! Desculpa sumir, mas andei meio desmotivada, entende?

    Enfim, sobre Proibido... Tem o que comentar? Sua resenha é de tirar o fôlego. Não sei como alguém em sã consciência não iria querer desesperadamente ler esse livro agora, rsrs O tema incesto é mesmo muito forte, se eu fosse pela sinopse, cogitaria não ter estômago pra ler. Mas diante sua resenha, acho que sim, eu conseguiria ler e ver o lado bom das coisas.
    O fato de ser a história de uma família também ganha pontos extras, eu amo isso! Faz tempo que não leio nada "tão bom quanto" Proibido, e sua dica está mais que anotada! Obrigada pela linda resenha, Tici.

    Beijos
    http://www.estantedasfadas.com.br/

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  8. Oii,

    Já vi muitas resenhas sobre o livro, mas eu confesso que não me interessei pelo o livro não. Em um primeiro momento, eu até quis ler, mas agora eu não quero mais não HAHAH


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  9. Olá, Tici!
    Nossa parabéns pela resenha, adorei e bem sobre o livro já estava com interesse em lê-lo e agora depois de ler sua resenha tenho certeza que irei.
    Bju's Ju.

    Visite - Tão Bom Quanto Pizza

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  10. Tici, estou de olho nesse livro desde que a Valentina anunciou o lançamento e eu já sei que vou amar e que vai partir meu coração e que vou chorar o mundo de lágrimas e que vou odiar o Universo por existir, exatamente como foi com A Culpa É Das Estrelas, mas que vou levar a história comigo para sempre, porque você está muito certa em dizer que você poe até não compartilhar da mesma opinião dos personagens, mas vai ser algo que te marcará.
    Sofro da síndrome de não conseguir resenhar livros que amo, e é ainda mais complicado quando um livro tem um teor tão emocional e pesado como esse, mas você se saiu muito bem <3
    Sinto dizer que eu com toda minha curiosidade compulsiva já sei o final do livro </3 É, fazer o que :( haha e já estou muito triste por antecipação, e sei que vou sentir um certo estranhamento com a relação dos dois, mas quero ver esse amor se desenvolver, deve ser intenso e lindo!
    Enfim, preciso desse livro pra ontem e sua resenha só me fez querer mais ainda!
    Parabéns pela resenha, linda!
    Debora.
    Beijão :D
    http://vanille-vie.blogspot.com.br/

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