Mundial de Rúgbi de 1995

8.7.14



Aproveitando o clima de Copa do Mundo, com bandeiras e estrangeiros espalhados pelas ruas, hoje o assunto que ilustrará a categoria Hors Concours não é um livro ou um autor, mas sim um evento histórico: a Copa do Mundo de Rúgbi de 1995, que ocorreu na África do Sul recém saída do regime do apartheid.

Apartheid foi um regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 pelos sucessivos governos do Partido Nacional na África do Sul, no qual os direitos da grande maioria dos habitantes foram cerceados pelo governo formado pela minoria branca, gerando uma grande onda de violência e discriminação no país.

Uma das figuras mais importantes na luta contra o apartheid foi Nelson Mandela que, após passar 27 anos na prisão, foi eleito presidente da África do Sul em 1994 e assumiu a difícil missão de liderar durante uma passagem política e de unir uma nação dividida entre brancos e negros. Para tanto, Mandela apostou no esporte como forma de união. Mais precisamente, ele apostou no rúgbi, um esporte que até pouco tempo tinha sido um símbolo do apartheid e era adorado pelos brancos, mas odiado pelos negros.

Sob o lema "um time, um país", Mandela, junto com o capitão do time de rúgbi, François Pienaar, e mais 40 milhões de expectadores, fizeram da Copa do Mundo de Rúgbi de 1995 uma prova histórica do poder transformador do esporte e do perdão, e que até já foi transformada em livro e em filme:



O esporte não devia ser somente uma disputa na qual apenas o patriotismo cego prevalece. Vaias a hinos alheios, times inteiros resumidos a apenas um craque, pessoas olhando feio para argentinos nas ruas ou então brasileiros que só assistiram aos jogos do Brasil criticando outros brasileiros que não torcem para a seleção... Isso é, para mim, muito muito muito distante do que o esporte e principalmente as torcidas deviam ser, mas como a esperança de um mundo melhor nunca deve morrer, sempre é bom então relembrar e manter vivo na cabeça e no coração o exemplo da África do Sul na Copa do Mundo de Rúgbi de 1995.


"O esporte tem o poder de mudar o mundo. Tem o poder de inspirar, o poder de unir pessoas que têm pouco em comum... É mais poderoso que os governos para derrubar barreiras raciais."  
Nelson Mandela      

You Might Also Like

11 Bilhetes

  1. muito interessante Tici!
    meu professor de inglês é sobrevivente do apartheid e nos contou a história triste de vida, que é ter toda a família dizimada e ser adotado por uma família de estranhos em outro país.
    eu infelizmente não assisti esse filme e para ser sincera, não sabia que havia um livro também.
    concordo plenamente com sua opinião sobre o patriotismo cego e a falta de respeito com os outros países...triste realidade!
    um beeijo!
    Blog Dramin

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que a única coisa boa que a gente pode tirar de disputas como o apatheid ou as guerras mundiais é que elas deixam uma ferida tão grande que acho difícil que algo exatamente igual surja de novo. Não duvido da história triste do seu professor e ela sempre servirá também como exemplo de conscientização :) Espero que hoje ele esteja bem! *-*

      Excluir
  2. Eu já vi o filme e agora fiquei muito mais envolvida com ele em saber do livro. Algumas pontas do filme ficaram soltinhas quem sabe eu indo atras do livro consiga me render totalmente a obra.

    é uma mensagem linda e todos deveriam conhecer. Uma lição, ainda mais com os fatos ocorridos no Brasil com Copa...etc.

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

    ResponderExcluir
  3. Oi, Tici!
    É verdade, o esporte e seus torcedores hoje são muito distante do que poderiam ser, infelizmente.
    O filme é muito bom mesmo. Mandela inspira até hoje!
    Parabéns pelo excelente post!
    =D

    http://osdragoesdefogo.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  4. Concordo com você, acho muito feio quando a torcida tem atitudes lamentáveis como vaiar o hino alheio ou bater em um adversário por ele estar comemorando o gol do time dele. Acho ainda que no jogo de ontem (Brasil x Alemanha) os alemães mostraram esse respeito, não ficaram tirando saro do Brasil após o quinto, sexto gol. Respeitaram a equipe e a torcida. Se o Brasil estivesse ganhando de seis gols, as comemorações seriam demasiadas e a torcida ficaria humilhando o adversário.

    Já assisti Invictus e amei, recomendo para todo mundo!
    Beijos
    Porão da Liesel

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, infelizmente, Camila. Surgiram piadas com a Alemanha mesmo com ela ganhando, imagina se perdesse... :/ Triste realidade, espero que a derrota feia contribua para algumas mudanças no nosso futebol :)

      Excluir
  5. Olá!
    assino embaixo, é muita falta de educação não saber onde termina a brincadeira e onde começa a falta de respeito! Vaiar um hino? é ABSURDO! não interessa o que diz no hino, respeito é bom e todo mundo gosta! Com receios pós-nazismo a Alemanha retirou do seu hino uma frase "Alemanha acima de tudo", tenho que pesquisar os motivos, mas por mim é uma maneira de respeitar quem sofreu durante a segunda guerra.
    Adoro o filme Invictus! E Adooooro Matt Damon!

    um beeijo Lara
    http://meusmundosnomundo.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  6. Olá, Tici <3.
    Olha, o Nelson é um exemplo de tudo e essa Copa de Rúgbi foi mesmo pra ficar na história!
    Sobre o que vc falou da Copa do Mundo: está certíssima! Brasileiros que só torcem quando o time está ganhando, mas na derrota queimam bandeiras e são os primeiros a criticarem os times. Não respeitam o HINO das outras seleções. COMO ASSIM? Quer exemplo de falta de educação maior q esse? Enquanto isso os Alemãos dão um exemplo de tudo. TUDO! Respeito, solidariedade, dignidade, maturidade. E olha, cada um torce pro time que quiser, isso é livre arbítrio. Feio mesmo é uma nação é que "ama" a pátria só quando se trata de futebol. Olha, Tici, vergonha define o que estou sentindo pelo Brasil nesse momento.
    Beijos.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Gabi, eu vi muitas coisas nessa Copa que me deixaram triste. A gente ainda tem uma longa caminhada pela frente quanto a cidadania e respeito! Amo/Sou Alemanha, espero mesmo que eles vençam no domingo! *-*

      Excluir
  7. Um grande exemplo, já vi ao filme. E tenho muita vontade de ler o livro. Futuramente quem sabe....
    http://contodeumlivro.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  8. DEMOREI, MAS CHEGUEI! :D :D HAHA
    Oii Ticilinda, como estas?
    Cada vez mais adorando essa coluna! Amei o tema que você escolheu! Realmente o esporte tem o poder de unir as pessoas, mesmo que elas não se conheçam ou não tenham nada em comum (como disse Mandela). Acredito que o esporte não serve apenas para o entretenimento, mas também para a superação de dificuldades na vida das pessoas e até a união de um país, como foi o caso da África do Sul. Mandela era um grande homem, fiquei bem triste quando ele faleceu :( Espero que nunca o esqueçamos e tudo o que a sua luta representou e deveria ter nos ensinado.
    Comecei a assistir esse filme, mas acabei não terminado porque o dvd deu pau :( mas agora me empolguei e acho que vou terminar logo! Do pouco que assisti pude perceber mais como era a sociedade naquele momento delicado, e o quanto Mandela lutou para ver o povo que tanto amava unido novamente. Sem falar que Matt Damon arrasa *-*
    Sobre o que você falou do momento vivido pelo Brasil: acho que a Copa foi um divisor de águas, mas só saberemos das consequências dela daqui a algum tempo. Mas, realmente é muito feio esse negócio de quando o time está ganhando está tudo lindo, mas basta perder para sair vandalizando tudo! Todos tem direito a pensarem e agirem como querem, mas nada justifica você sair quebrando, xingando, sendo mal educado, sem espirito esportivo por aí. Faça sua opinião ser válida da maneira correta!
    Enfim! Curiosa pelo próximo tema!
    Beijão :*
    http://vanille-vie.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Copyright

Todas as fotografias e textos publicados são produzidos pela equipe do Feito Poesia, exceto quando sinalizado. Por favor, não copie nenhum deles sem a devida autorização dos autores. Todos os direitos reservados.


Seguidores