[Um Pouco Sobre] Lewis Carroll

27.1.14


I.   Lewis Carroll


Conhecido mundialmente pelo pseudônimo Lewis Carroll, Charles Lutwigde Dodgson nasceu no dia 27 de janeiro de 1832, em Daresbury, condado de Cheshire, Inglaterra. Suas principais obras Alice no país das maravilhas e Alice atráves do espelho e o que ela encontrou por lá até hoje são referências importantes no ramo da literatura nonsense, com destaque para o mundo onírico, e têm encontrado diversos filósofos, psicólogos e entusiastas dispostos a analisá-las e desvendá-las sob vários prismas.

Carolus Ludovicus
Lutwigde em latim é Ludovicus. E a forma anglicana para Ludovicus é Lewis. Em latim, o nome Carolus é uma das derivações do nome Charles, e possui uma notável semelhança com o sobrenome irlandes Carroll. Numa brincadeira com nomes e sobrenomes e troca-troca de origens, Charles Lutwidge inverteu a ordem e se tornou Lewis Carroll, nome que usou para os seus trabalhos artísticos, enquanto preferiu o nome verdadeiro para suas obras mais didáticas.  

Além de escritor, Lewis Carroll também era matemático. Formou-se em Oxford onde trabalhou como professor e onde também conheceu quem mais tarde lhe apresentaria sua aparente musa inspiradora (a pequena Alice Liddell). Desde pequeno, Carroll gostava de inventar jogos de lógica e enigmas para entreter seus sete irmãos e não é à toa que, anos depois, a matemática teria presença garantida em suas obras infantis mais conhecidas, mesmo que não explicitamente, e também em seus jogos e publicações lógico-matemáticos tais como A Tangled Tale (1885), The Game of Logic (1886) e Symbolic Logic (1896).

Os Relógios Loucos de Carroll
Quais dos relógios registra o tempo mais fielmente? Um que se atrasa um minuto por dia ou um que não funciona? A resposta certa é o relógio que não funciona, pois, atrasando-se um minuto por dia, o primeiro relógio só voltará a ficar certo depois de 12 horas de atraso, ou seja, dois anos depois. Enquanto o relógio que não funciona mostra a hora certa duas vezes por dia. 

Também é verdade que Carroll sofria de enxaquecas terríveis que podiam provocar experiências com auras (fenômeno neurológico que provoca alterações visuais) que podem ou não terem sido usadas como inspiração para as cenas mais psicodélicas nos trabalhos do autor.  Há até uma síndrome nomeada em homenagem à obra por causar alucinações e distorções na percepção visual de suas vítimas.


II.   Lewis Carroll e Alice Liddell 
As irmãs Liddell, com Alice à direita

Conhecido por ser um tanto tímido e ter uma possível gagueira que ele parecia notar mais do que qualquer outra pessoa, Carroll gostava de ficar ao lado de crianças, fazendo pequenos truques de ilusionismo ou contando histórias para elas. Em 1886, ele conheceu o  decano Henry Liddell e desenvolveu uma relação muito forte com sua família, especialmente suas três filhas: Lorina, Edith e Alice. 

Foi num passeio de barco pelo rio Tâmisa, em 4 de julho de 1862, que Carroll contou às meninas a história improvisada sobre uma menina que caía na toca de um coelho. Alice Liddell gostou tanto da história que pediu a Carroll que a escrevesse e seu pedido foi atendido um tempo depois, quando ele a presenteou com uma versão manuscrita e ilustrada da história contada naquele 4 de julho, entitulada As Aventuras de Alice Embaixo da Terra. Em 1865, As Aventuras de Alice Embaixo da Terra virou As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e foi publicado com ilustrações de John Tenniel. O livro virou um sucesso, pois parte do nonsense era derivado de referências aos costumes, lugares e pessoas da época. 

O Manuscrito
Alice Liddell, já adulta, teve que vender o manuscrito dado a ela por Carroll para fugir da falência após a morte do seu marido. A cópia original rendeu £15.400 e foi parar nas mãos de um colecionador americano. Hoje se encontra, desde 1948, na British Library, a biblioteca nacional da Inglaterra, após ser dada como presente por alguns benfeitores americanos em apreciação ao desempenho dos britânicos na Segunda Guerra Mundial. 

Alice Liddell foi também uma das várias crianças que Lewis Carroll fotografou. Sua fotografia era mais voltada para retratos de pessoas importantes da época ou crianças, às vezes nuas ou semi-nuas. E é por conta principalmente desse interesse de Carroll em fotografar e também pintar meninas semi-nuas que muitos o consideram como pedófilo e/ou crêem em sua paixão por Alice, apesar de nada nunca ter sido comprovado.

O Mistério dos Diários Desaparecidos
Carroll manteve anotações em diário da sua vida adulta em 13 volumes. Quatro deles e algumas páginas dos demais desapareceram, e a razão nunca foi descoberta. Os volumes e páginas desaparecidos situam-se entre 1853 e 1863, período no qual o escritor escreveu extensas poesia amorosas consideradas por muitos como autobiográficas. 


III. Lewis Carroll e o Legado


Carroll faleceu no dia 14 de janeiro de 1898, em Guildford, sul da Inglaterra, vítima de pneumonia. Além das histórias envolvendo a personagem Alice, ele também escreveu A Caça ao Turpente e Silva e Bruno, mas são as aventuras no País das Maravilhas que ele deixou como um importante legado para o gênero literário nonsense e para a literatura infantil.

Relembrada e aplaudida mesmo 148 anos depois de sua primeira publicação, a história já passou por diversas adaptações teatrais, televisivas e cinematográficas, além de ter influenciado músicos, escritores e artistas a compor suas próprias obras. Entre as mais famosas versões para o cinema está o clássico da Disney de 1951, que estreava vinte anos depois da primeira versão dirigida por Bud Pollard para cinemas com som. Há também versões que apostam menos no infantil e mais no psicodélico, criando uma variedade de games e títulos recheados de sangue, terror psicológico e distorções.

Through the Looking Glass
É o nome da sequência da superprodução cinematográfica de 2010 de Alice no País das Maravilhas. A estreia está prevista para 2016, com Johnny Depp e Mia Wasikowska de novo na pele do Chapeleiro Maluco e de Alice, respectivamente. Dessa vez, porém, Tim Burton não estará à frente do projeto. 

Adaptações da obra imortal vão surgir o tempo todo, duzentos, trezentos, mil anos depois daquele passeio de barco pelo rio Tâmisa, inspirando contadores de histórias a ultrapassar o impossível e fazendo crianças e também adultos sorrirem ao perceberem o que pode ser criado com a imaginação. Isso graças a Lewis Carroll. Agora, se ele era louco ou pedófilo ou se tinha uma paixão platônica por Alice ou Lorina, por que não deixar apenas como um enigma daqueles que Carroll tanto gostava? 


“Tudo tem uma moral, se você conseguir simplesmente notar.”
(Everything’s got a moral, if only you can find it.)

 Lewis Carroll
 (1832 - 1898)

You Might Also Like

6 Bilhetes

  1. Muito interessante! Sabia alguma coisa sobre Lewis Carroll, mas depois de ler isso, vi que sabia muito pouco. Gostei, adoro essas colunas biográficas! E até que o homem não era feio não... (tá, esse último comentário não teve nada a ver)

    Abraços,
    http://fantasticosmundosdepapel.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que gostou, Juliana! E hahaha sim, ele não era feio. Mas nunca casou, nunca teve ninguém, a não ser as paixões platônicas que inventaram (ou não) para ele :/

      Excluir
  2. AMO este autor, o Lawis Carrol. Inclusive estou lendo Alice, que é muito bom e a escrita dele também é muito fácil de ser lido! Muito boa a postagem, sempre é bom saber um pouco mais sobre autores!

    Beijos e muito sucesso,
    http://gatos-livros-chocolate.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A resenha de amanhã será "Alice no País das Maravilhas", também gostei muito do livro :D Obrigada, Lara! Sucesso para você e para o seu blog também! E que URL maravilhosa é essa, hein?! *-*

      Excluir
  3. Tenho a primeira edição que você mostrou, ele é bem pequeno.
    Não li ainda Alice No País Das Maravilhas, mas pretendo ler.
    Principalmente depois de ter visto o filme MARAVILHOSO que acabaram de lançar, foi simplesmente PERFEITO!
    Mas sei que o livro mesmo não tem a MESMA história do filme pois modificaram muito coisa, eles deviam fazer um livro sobre o filme...
    Beijos!
    http://umavidachamadalivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amanhã vou postar a resenha de Alice, espero que goste! Realmente a adaptação mais recente não tem quase nada a ver com o livro, mas estou ansiosa pela continuação! Até porque ainda não li Alice Através Do Espelho, então estou curiosa!
      Beijos, Lili! Obrigada por aparecer por aqui <3

      Excluir

Copyright

Todas as fotografias e textos publicados são produzidos pela equipe do Feito Poesia, exceto quando sinalizado. Por favor, não copie nenhum deles sem a devida autorização dos autores. Todos os direitos reservados.


Seguidores